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rezaDOR

choro-dou-lho

afagos em horas de recordar em calmaria de dormir
quartinho de janelas em vento de embalar
de renda e linho em vermelho de cortinado.
madrugada em versos de repetição
de sonâmbulo como rezador
olhos fixados em fotografias de parede.


loucura de alma em lágrimas de sufocamento
rasgo de mim em machucado de feridas.
saudade em branco de lençol de acetinado
de toques em bordados de nomes em relevo.


rezas em tristezas de não aguentar
distância de ferimento em coração de sofrimento
musica de ventania em vidraça de observar


enraizado amor em toque de perfume
de horas de angustia em pintura de atelier
sussurros que não somem em ouvido de solitário.
nome de martelo em bigorna de ouvido.


ulysses Teixeira.2009.ORGANDI-poética.poesia brasileira

anoiTRISTEcendo

flormorta


tarde de calçada em sol de queimação
vento que não há em flores de roseiral
jardins ressecados sem vôos de borboletas.


horas de cantos em ouvidos de cerume
de bando de pardais em roupas de varal
réstias de sol em afagar de queimadura.


entardecer de lágrimas em espalmado de mãos
palavras estagnadas em boca de poetar
coração de sofredor em ansiedade de cardíaco.


noite de esquina em poste de iluminação
lágrima perdida em caminho de poeirada
silêncio de caco em cortar de profundidade.


ulysses Teixeira.2009.ORGANDI-poética.poesia brasileira

in trisTECENDO

1851033



delícia de acordar em perfumes de acamado
em abraços de apertação de serpente.
aspereza de língua em beijos de recordar
de carinhos em gostosura de salivação.


assim de estrelas em ceu de luazinha
suspiroso em versos de admiração
de curvas que se mostravam em moldura de quarto
sorriso estampado em carinho de horas.


doces amanheceres de sol em pelagem
de toques amornados em descontrole de dedos
por curvas de dobras em caminhos de labirinto.


chuva de tardezinha em cerca de passarinhos
memória de queimação em lembrança de saudosismo
tecendo vento de orquestração sobre tulipas sem graça.

ulysses Teixeira.2009.ORGANDI-poética.poesia brasileira

in bed

Irving+Penn+Girl+in+Bed+1949

corpo de cansados olhos em entontecido
madrugada de julho em cama de debater-se
chuva interminável em barulho de latão.

luar que nunca mais em flores de jardim
angustia de janela em poste de ruazinha
luzes sobre poças de saudades de brincadeiras.

manhã de sol de queimadura em ressecado de olhos.
beijo de lembrança em boca de desgostoso
de corpos abraçados em desarrumado de cama.

ulysses Teixeira.2009.ORGANDI-poética.poesia brasileira

nadaDOR

cuidado-olhos-secos


musa em mim de tintas em riscos
de pincel em pano de linhagem
perdida em esboços em traçado de lápis.


interna, abissal em sangue de veia
nesse debater-se de girar indefinidamente
de explosão em versos de sofredor.


luz de brilhar em azulado de olhos
de contas em limpidez de ceu.
espelho d´água de nadar de sonhador.


ulysses Teixeira.2009.ORGANDI-poética.poesia brasileira

enLUARamento

img230-76


brisa em azulado de ceu de entardecer
de nuvens em roda de cirandar, bailarinas.
coração descompassado em fogo de recordar.


paixão de pulsar em dolorido de corpo,
rasgado amor em exposto de ferimento.


olhos de angustia em retina de contemplar
amarelados versos de lembrancinhas.
floridos lugares de passear
de arco-íris em arco de entardecer.


horas monótonas em ponteiro de relógio
lembranças de beijos em ressecado de língua
de passeios noturnos enluarados de hortênsias.


ulysses Teixeira.2009.ORGANDI-poética.poesia brasileira

momentâneo

1914418


atirado em espaço infinito de cama,
quarto de vidraçada janela sem cortinado.
calha como despertador de acordar
de revirar-se em manhã de chuvarada.


lembranças de água em corpo,
de chuveirada,
rio que descia
encostas, costas
daqueles beijos matutinos
e vontades antes do café.


respingada pele em textura de sardas
em amargo de língua de correr, como toalha.

ulysses Teixeira.2008.ORGANDI-poética.poesia brasileira

in

auto retrato1

lembranças em trancadas portas
de memória de desiludido
nem flor, nem frutos,
nem salivados beijos
que desfilavam em carreiras de dentes, lábios.


realidades que não mais tocam
pele de pelos
em madrugadas de lentidão de relógios
de estrelados panos de ceu.


só êxtases de antigas sensações
de invisíveis mãos
e dedos em redemoinho de toques.


recordações de rasgado coração
em mágoa de envelhecimento.


ulysses Teixeira.2008.ORGANDI-poética.poesia brasileira

cadente

sombra

ceu rasgado em vermelho de poente
de luz que,  de desmanchada
arde em olhos em consumição de lágrimas.

silêncio em suavidade de brisa,
em bailado de folhagens
murchadas asas de colibris multicores.

noite, luar de rio em capa
em cobertura de pontes, estradas.
caminho de viandante em largura de passada
sonhador de paixões desaparecidas
segue em pensamento de estrela
riscando noturno ceu em asteróide.

ulysses Teixeira.2009.ORGANDI-poética.poesia brasileira

oásis

premonicoes_de_Inverno__by_contos


tarde de caminhada
em jardim de roseirais.
vento de amornado em sabor
de moranguinhos
em ceu de azulado espelho
de nuvens branquíssimas de espuma.


felicidade de observar em cantarolada vertigem
curruíra que se empoleira
em galho verdinho de parreiral.


momento de mágico encanto,
oásis,
em inchado de olhos,
que de cansados
só sabem chorar
de magoados.


ulysses Teixeira.2009.ORGANDI-poética.poesia brasileira

caminhada

saudosidade

bocas

a lembrança daqueles canteiros

bocas de rosas abertas ao vento,

estrelas de prata.

aquele brilho de sol pelas vidraças

e algo como um suspiro.

depois grito imenso

rompendo lágrimas.

longe, daqui desse lugar

o sol do meio dia, é pedra fria.

e de você, olhos, cabelos, corpo,

tudo, é mais que punhal:

saudade navegando veias

em barco de cristal.

ulysses Teixeira.2008.ORGANDI-poética.poesia brasileira

gritante

gritose queimasse,
verdadeiramente,
da paixão a chama,
o verso na noite
teria a força de correr
lugares de prata.

lábios teriam mais beijos
e muitos cantos
romperiam retesados,
dessas gargantas
de sal.

ulysses Teixeira.2008.ORGANDI-poética.poesia brasileira

enlaçamento

poemacerto

hoje o verso tornou-se claro
e a água já branca
da bruta pedra tirada
fêz-se rio largo.

é como se o vento
tocasse folhas verdinhas
e brincasse como criança
nas flores dessas esquinas.

é como se a tinta
unisse na linha
eternamente, tua alma na minha.

ulysses Teixeira.2009.ORGANDI-poética.poesia brasileira

cardiovascOLHAR

bocanamao

olhos de choramingar
em tardes desbotadas:
tristeza de contemplações
em espalhado de fotografias.

 

lembranças em rasgo de sangrar.

 

noite de boca ressecada
em danças de cortinado.
quarto em solidão de machucar
de luar em espelho de vidraça.

 

insônia em horas de saudoso:

 

língua que escorregava pele, pêlos.
( saboroso líquido de beber
em brancura interna de coxas.
sensações que se repetem indefinidamente ).

 

depois, amargo de solidão em xícaras de café
cusparada em jardim iluminado de orquídeas
saudade de não conter em passos de calçada.

 

lembranças de cortar em dia ensolarado
de trinados de pássaros como ladainhas.

 

ulysses Teixeira.2009.ORGANDI-poética.poesia brasileira

vaginação

ventre1

labirinto de torturados desejos
em sonhos de acalentar.
memória de corpo de contorcidas curvas
em visão de janela de cortinado.

 

amplo espaço em quarto de debater-se
em cobertas perfumadas:
lembranças de taças de vinho.
gosto de ventre descoberto
em abertura de pernas.

 

amor de laços
em aperto de serpente
de abraçar.

 

corpo nu que se desfêz
em lembranças de sonhador
sob pó em estrada de caminhar.

 

curitiba,2009

 

ulysses Teixeira.2009.ORGANDI-poética.poesia brasileira

 

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